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"...Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me." Mateus 19.21

 


"Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me." Mateus 19.21

(Desapegue-se de tudo o que você tem.)

Na sociedade atual na qual vivemos, um dos principais empecilhos que a maioria das pessoas está enfrentando, para que consigam ter acesso ao tesouro celestial do qual Jesus está se referindo no texto de Mateus 19.21, assim como, o que está dificultando que os indivíduos realmente sigam o Mestre, por mais improvável que pareça, é a quantidade excessiva de bens e posses que possuem (ou desejam possuir) e a maneira condicionada, viciada e inconsciente com a qual estão apegados a tais coisas.

O espírito do mundo desenvolveu uma grande teia emaranhada com padrões de pensamento e comportamento social que são disseminados e "glamourizados" pelo senso comum e pelo status quo, de modo que a maioria das pessoas se vê, de alguma maneira, impelida a moldar o seu estilo de vida segundo a forma como os demais indivíduos ao redor estão fazendo; e esse é o começo de uma das mais perniciosas armadilhas que o mundo moderno tem a oferecer, pois o estilo de vida amplamente difundido pelas multidões e considerado como o padrão social para os dias atuais está totalmente alicerçado sobre todo tipo de exageros, dos quais a maior parte diz respeito aos excessos de desejos e acúmulo de bens materiais, objetos e posses de absolutamente todos os tipos. O indivíduo moderno só é considerado alguém no contexto social se possuir e acumular coisas (troféus e tesouros da sociedade), excessivamente, compulsivamente, do contrário é sumariamente rotulado como fracassado, preguiçoso, pobre, e tantos outros adjetivos pejorativos que as vozes sociais do espírito do mundo tanto gostam de colocar sobre as pessoas; porém, em teoria, quanto mais coisas, posses, e bens materiais um indivíduo tiver, mais a sociedade o considerará como alguém valioso, rico e de sucesso, que é justamente como a maioria da população procura ser vista, sem se dar conta de que tais rótulos sociais nada mais são do que ilusões produzidas para manipular a mente humana e gerar grande fardo material, mental e espiritual em todos quantos se apegarem a eles. 

É fato que grande parte da população nas grandes cidades possui muito mais coisas, bens e posses do que seria o ideal para que pudessem viver de maneira mais leve e "sã", de modo que a existência de cada indivíduo está sendo sobrecarregada pela quantidade cada vez maior de peso psicossocial que a aquisição e o acúmulo exagerado de suas próprias posses e bens está causando; e mesmo aqueles que não têm tanto quando desejam, estão angustiando a si mesmos constantemente por se sentirem inferiores tão somente porque o método de comparação que usam para determinar o próprio valor social é a quantidade acumulada de todo tipo de bens de consumo, sem perceber que depois que as nossas necessidades básicas são atendidas e conseguimos um nível moderado de conforto social, toda a aquisição de bens, objetos e posses causa muito mais estresse, ansiedade, inquietação, insatisfação e até infelicidade (no longo prazo) do que plenitude; e infelizmente é assim que muitos estão vivendo, mesmo dentro das mais diversas congregações; mas veja o que Jesus diz no texto de Lucas 12.15: "A vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.".

De fato, o relacionamento mentalmente distorcido, e até, em certos casos, "abusivo", que as pessoas têm com o excesso das suas posses, bens e objetos, também lhes está causando um prejuízo muito maior do que podem imaginar, pois uma vez que todo o foco, os sonhos, e as ambições de alguém estão voltados apenas para a obtenção e a acumulação constante de cada vez mais bens materiais e sonhos de consumo (roupas, calçados e acessórios de marca), joias, dispositivos eletrônicos, itens domésticos e uma vasta gama de coisas semelhantes, acabam ficando cegos e insensíveis para todas as questões essenciais da vida, ou seja, por causa da forma como lidam com suas coisas materiais acabam perdendo o contato com a vasta presença consciente que é o seu verdadeiro Eu, que é o seu espírito; e uma vez que essa conexão interior é bloqueada, tais pessoas também, como consequência dessa obstrução, terminam perdendo o contato com o próprio Espírito de Deus, pois o ponto em que o Espírito Santo se comunica conosco é o nosso próprio espírito, como o texto de Romanos 8.16 afirma ao dizer que: "O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.".

Todo sábio compreende a necessidade de viver mentalmente pronto para abrir mão de suas posses e bens materiais (parte delas ou toda elas) caso necessário; pois nunca se sabe o que o dia de amanhã revelará. Muitas pessoas estão tão apegadas às suas posses e bens que já não são mais capazes de perceber que tais coisas são apenas ferramentas e objetos que devem ser obtidos e utilizados com sabedoria; a maioria das pessoas luta para não se dar conta de que suas posses e bens podem ser tirados de suas mãos facilmente pelas mais diversas variáveis incontroláveis da vida, basta um desemprego, uma doença, uma crise, uma enchente, um terremoto, um incêndio, um roubo, uma injustiça, um descuido, um erro de cálculo, uma falência, ou qualquer outra coisa que está fora do nosso controle. Assim, quando o tolo perde qualquer uma de suas posses seu sofrimento é imenso e seu apego material deixa várias cicatrizes e sequelas profundas porque o seu coração está em tudo aquilo que possui, como o texto de Mateus 6.21 afirma ao dizer que: "...Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração."; mas quando o sábio perde algo por qualquer motivo, ainda que seja de alto preço ou de grande valor social, não há sofrimento, nem trauma, nem cicatrizes, nem tampouco sequelas, apenas o inconveniente de tal perda; porque o coração do sábio não está apegado a tudo o que possui. 

O problema que já está estabelecido dentro das mais variadas congregações é que, como aquele jovem rico citado em Mateus 19.21, há muitos membros e líderes atualmente praticando um cristianismo meramente intelectual, baseado sobre um evangelho ligeiramente distorcido cujo centro é a busca incessante por bens materiais, posses e sonhos de consumo, segundo as tendências da sociedade e a cultura do tempo em que vivemos; tais pessoas, tal como aquele jovem rico, se tornaram inconscientemente materialistas e consumistas a ponto de confundir fé com megalomania e ostentação; eles confundem riqueza com fortuna; sucesso com excesso; e bens materiais com bênçãos celestiais (algo que nem todos são). Esses indivíduos ficaram acomodados com esse pseudocristianismo social que foram ensinados a seguir, ou escolheram se apegar, e costumam justificar a si mesmos perante outras pessoas e até perante o próprio Deus, de maneira muito parecida com o que aquele jovem fez diante de Jesus; eles costumam pensar e dizer: "Tenho guardado os mandamentos, jamais matei, jamais cometi adultério, nunca roubei ou defraudei alguém, estou sempre vigiando para não pecar com os meus lábios proferindo testemunho inconstante ou mentiroso, tenho honrado meus pais e meus familiares, e procuro amar o próximo tanto quanto posso; tudo isso tenho feito desde que me converti". E por mais que essas pessoas estejam realmente se esforçando para fazer tudo isso, eles deixaram um detalhe vital passar despercebido.

E que detalhe é esse?

O detalhe de que o verdadeiro cristianismo significa perfeição, por isso foi escrito em Mateus 5.48 o texto que diz: "Sede vós, perfeitos, como é perfeito o vosso pai, que está nos céus.". E foi também por isso que Jesus disse àquele jovem rico o que está registrado no início do texto de Mateus 19.21, que diz: "...Se queres ser perfeito...". Ou seja; não nos adianta viver esse pseudocristianismo social, que nada mais é do que um "cristianismo" parcial; em outras palavras, não basta não matar, não roubar, não adulterar, honrar pai e mãe, e, cumprir todos os ensinamentos semelhantes a esses, mas permitirmos que a nossa mente e o nosso estilo de vida estejam presos pela forma materialista e consumista (apegada e identificada com todo tipo de bens, posses e objetos considerados como tesouros sociais e símbolos de status) que tem governado a existência da maioria absoluta da população nas grandes cidades das mais diversas nações, a ponto de tais coisas ditarem toda a maneira como vivemos; pois tal materialismo e consumismo, vão, no longo prazo, sorrateiramente, contaminar todas as nossas práticas espirituais reduzindo-as a meros hábitos religiosos, e isso nos impedirá de acessar a essência da vida eterna, que ao contrário do que muitos pensam, já está em nós mesmo durante o tempo da nossa caminhada terrena; mas as pessoas não conseguem perceber isso porque toda, ou quase toda, a sua atenção é constantemente atraída pela corrida social alucinada por ter e acumular bens, posses e objetos (muitos deles essencialmente inúteis) em quantidades cada vez maiores. De fato, na vida dessas pessoas, mesmo sem que tenham a intenção, o TER usurpou o lugar do SER, e é por esse motivo que mesmo dentro de uma congregação, muitos continuam sofrendo com todo tipo de angústias, traumas, ansiedades, e até depressões que têm assolado a população por toda parte.

E como devemos proceder para que a nossa vida não seja afetada e arruinada por essa movimentação inconsciente da sociedade, e tenhamos condições de finalmente acessar a essência da vida eterna que já está em nós, de modo que possamos seguir a Cristo em espírito e em verdade, sem sofrer com a pressão e a opressão social que o materialismo e o consumismo exercem sobre as multidões?

Se formos capazes de compreender a essência das palavras de Jesus para aquele jovem rico de Mateus 19.21 nossa consciência espiritual se expandirá e toda a nossa vida colherá os benefícios da mudança interior que tal ensinamento pode gerar. 

Jesus disse: "...Se queres ser perfeito, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres..."

Isso significa que temos de nos desfazer de todas as nossas posses e coisas?

Definitivamente não, mas significa que devemos nos desapegar, mentalmente, de tudo o que temos, pois do contrário não seremos nós quem teremos as coisas, mas serão as coisas que nos terão; como o escritor Chuck Palahniuk escreveu em seu livro, que virou filme, Clube da luta: "Todas as coisas que você possui acabam possuindo você.". Se queremos realmente que a nossa vida seja plena, em outras palavras,  se queremos que o nosso estilo de vida, nossa mente e nosso espírito estejam sempre em perfeita harmonia, temos de nos livrar de todos os excessos que passamos tanto tempo cultivando e acumulando apenas porque as vozes do senso comum e do status quo nos disseram que era o que devíamos fazer; e se formos suficientemente honestos nesse processo logo perceberemos que a maioria dos excessos que estão complicando a maneira com a qual interagimos com tudo o que nos cerca está ligada ao vício social por ter cada vez mais coisas, muitas das quais nem precisamos, mas que desejamos ardentemente possuir e acumular para impressionar os outros, para nos sentirmos mais valiosos, ou para, de alguma maneira, chegarmos mais próximos do que a sociedade considera como alguém rico e bem-sucedido; entretanto, quanto mais coisas desnecessárias adquirimos e acumulamos, sejam roupas, calçados, acessórios, joias, itens domésticos, objetos eletrônicos, propriedades ou qualquer outra coisa, mais pesada fica a nossa relação com a vida tanto no âmbito social, quanto no âmbito mental, e também no espiritual, pois tudo que chamamos de vida, em todas as suas "dimensões" está interligada.

Note que esse texto não é uma apologia à escassez de bens materiais, propriedades, objetos, posses, ou a qualquer tipo de estilo de vida caracterizado pela privação, mas sim apenas um simples lembrete de que o verdadeiro cristianismo repousa majestosamente em uma existência e em um estilo de vida de suficiência com moderação, inclusive na nossa relação com todos os bens materiais, posses e objetos que possuímos. Todo cristão genuíno compreende que os nossos bens, posses e objetos devem ser sempre adquiridos de forma consciente e intencional, eles devem servir a algum propósito e devemos evitar ao máximo qualquer tipo de acumulação; assim, sob essa perspectiva, notaremos facilmente que precisamos de muito menos coisas do que passamos toda a vida acreditando que precisávamos. E o texto de provérbios 15.16 passa a fazer todo o sentido na nossa mente, pois diz: "Melhor é o pouco com temor do SENHOR do que um grande tesouro onde há inquietação."

Não podemos ignorar o fato de que neste exato momento há muitas pessoas ao redor do planeta que estão sendo esmagadas pelo peso da casa (ou apartamento) que compraram, outros estão sendo esmagados pelo peso do carro que colocaram na garagem, também há aqueles que estão sendo esmagados pela quantidade absurda de todo tipo de coisas que comprar em seus mais diversos cartões de crédito, e é claro que existem aqueles que estão sendo atormentados por todas essas coisas ao mesmo tempo; essa é a vida moderna segundo a perspectiva consumista e materialista do espírito do mundo, e como as multidões não se dão conta de que esse não é o único estilo de vida que uma pessoa pode ter, acabam constantemente sobrecarregando a si mesmos até chegar ao ponto de seu estilo de vida se tornar intensamente opressivo.

Certa vez Jesus disse: "Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei."

A essência do que o Mestre está dizendo nessa passagem também é: Aproximem-se de mim e eu lhes direi como se desvencilhar de todo o peso extra, desnecessário, que vocês têm acumulado e carregado durante tanto tempo. Parece familiar? Pois foi exatamente o que aconteceu com aquele jovem rico; ele se aproximou de Jesus e o Mestre disse claramente que ele precisava se desfazer de tudo o que o estava mantendo preso, que naquele caso específico era um apego acentuado por todos os seus bens e posses materiais; ou seja, o caso daquele jovem já estava muito avançado, mas mesmo assim tinha cura; semelhantemente ao nosso caso, muito provavelmente nós ainda não estamos tão apegados e identificados com nossas posses e bens materiais a ponto de que a única solução seja tão radical como nos desfazermos de tudo, mas invariavelmente teremos de nos desfazer de todo o excesso desnecessário porque essas coisas não estão apenas se acumulando e juntando poeira em nossas gavetas, armários, cômodos, garagens e em tantos outros lugares da nossa casa e da nossa vida, nem estão nos deixando mais próximos da felicidade e da liberdade como a sociedade nos prometeu que fariam, pelo contrário, elas estão ocupando um espaço valioso na nossa existência, bem no meio do caminho entre nós e a serenidade, a tranquilidade, a satisfação, a fé, a sabedoria; impedindo que possamos descobrir tais dádivas dentro no nosso verdadeiro Eu, que é o nosso espírito. O excesso do que temos está nos sobrecarregando constantemente.

Muitos estão desperdiçando a vida adquirindo e acumulando bens materiais, posses, sonhos de consumo e todo tipo de tesouros sociais porque acreditam que eles os farão ter uma vida de luxo e sofisticação, pois ouviram as mais diversas vozes e agentes sociais do espírito do mundo que insistem em afirmar, e pregar, que a sofisticação e o luxo são o melhor caminho para a felicidade, para a liberdade, e para a plenitude; porém nada disso é verdade, como o famoso pintor, e polímata, Leonardo Da Vinci, disse certa vez: "A simplicidade é a sofisticação definitiva". 

Mateus 6.21 diz: "Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.".

Infelizmente o padrão da sociedade moderna é que as pessoas considerem que todo o excesso de suas coisas é o seu tesouro, logo, o coração desses indivíduos está preso a tais posses e bens materiais, assim como ao desejo constante de obter e acumular cada vez mais; e se o coração de alguém está preso a tais coisas como se elas fossem um tesouro, não há espaço para que percebam, e tenham acesso, ao tesouro real que está nos céus. Por isso também é que a Escritura Sagrada nos alerta em Mateus 6.19, dizendo: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e os ladrões minam e roubam.".

Comece a se livrar dos excessos de bens materiais e objetos desnecessários e a sua vida começará instantaneamente a ficar mais leve, sob todos os aspectos, pois menos coisas demandam, menos espaço, menos dinheiro para mantê-las, menos estresse por causa delas, menos ansiedade, só para citar alguns benefícios. Mas note que melhor do que nos livrarmos do excesso de posses e bens que estão na nossa vida, desnecessariamente, é nos livrarmos do desejo constante por adquirir e acumular mais e mais dessas coisas, como foi dito pela enfermeira e escritora norte americana Mary Ellen Edmunds: "Desejar menos é uma bênção muito maior do que ter cada vez mais.".

Certa vez ouvi o relato do pastor e escritor Joshua Becker no qual ele contou como percebeu que a maioria absoluta das suas posses, e bens, que ele tinha lutado tanto para obter e acumular durante anos, e inconscientemente considerava como seus tesouros pessoais, o estavam mantendo afastado do que era realmente importante para a vida dele; ou seja, como a forma consumista e materialista com a qual ele se relacionava com a vida estava, na verdade, fazendo com que ele negligenciasse e se afastasse dos verdadeiros tesouros da vida; a família, as outras pessoas, a si mesmo, e até a fé em Deus. Ele conta que em um final de semana de feriado, foi "obrigado" a passar quase todo o dia limpando e organizando sua garagem que estava repleta de todo tipo de caixa contendo os mais variados itens que supostamente uma pessoa precisa ter, e isso ocorria enquanto sua esposa fazia exatamente a mesma coisa nos outros cômodos do imóvel. Segundo o testemunho dele, sua garagem e sua casa estavam repletas de coisas excessivas e desnecessárias, como é o padrão tanto nos Estados Unidos como em vários outros países do globo, e ele já tinha postergando aquela arrumação por tanto tempo que já não havia mais como adiar; entretanto, durante todo aquele dia seu filho, que estava com cinco anos à época, ficava chamando ele para brincar, mas ele simplesmente não conseguiu dar atenção ao garoto, e durante todo o dia ficou "lutando" com aquela quantidade excessiva de coisas acumuladas em sua garagem enquanto via o filho se esforçando sem muito sucesso na tentativa de brincar sozinho. Segundo ele conta, foi naquele dia que ele percebeu que o excesso de tudo o que ele possuía o estava afastando do que realmente é mais importante na vida.  

E por que estou contando esse relato?

Porque geralmente temos muita dificuldade em acreditar que o excesso de nossas posses e bens sejam capazes de causar tanto mal dentro de nós, e também na nossa vida; mas a verdade é que muitos indivíduos chegaram ao ponto de colocar em risco a própria salvação por causa do apego desmedido por seus tesouros sociais (bens, posses). Exatamente como aquele jovem rico da passagem bíblica. E é justamente por esse motivo que o conhecido texto de Apocalipse 3.17 foi registrado, para mostrar a maneira como tais pessoas têm pensado sobre a vida e a consequência que isso está causando a elas, sem que notem; está escrito: "Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que é um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego e nu.". Em outras palavras, o que a essência desse texto está revelando é que há muitas pessoas, multidões inteiras, dentro e fora das mais diversas congregações, que estão tão apegadas às suas posses e coisas materiais, considerando-as como um tesouro social, e achando que tais coisas são o centro da vida deles, que estão perdendo completamente de vista o que a vida real verdadeiramente é, e tudo o que o seu apego ao acúmulo de bens e posses está realmente gerando são inúmeras e cada vez mais intensas aflições de espírito (sofrimentos) dos mais variados tamanhos, formatos e sabores que sorrateiramente acabarão afastando-os completamente de Cristo, como aconteceu com aquele jovem rico.

Uma parte importante do nosso dever como cristãos(ãs) é encontrar o equilíbrio entre nós e nossas coisas, bens, posses e propriedades, de modo que elas não prendam toda a nossa atenção e não soterrem o nosso verdadeiro Eu, o nosso espírito, pois se isso acontecer, estaremos condenados a, tal como aquele jovem rico, nos retirarmos da Presença do Senhor por causa do apego a tudo o que possuímos ou que desejamos possuir; e por mais triste que seja, isso já aconteceu, ainda tem acontecido, e continuará acontecendo com muitos indivíduos, mesmo com aqueles que passarem toda a vida dentro de uma congregação, seja como membros ou até como líderes. Porém, se conseguirmos desvencilhar as nossas posses de nós, teremos a clareza para perceber o que realmente a nossa vida material necessita para ser plena, e com isso o caminho estará aberto para que possamos seguir a Cristo sem qualquer empecilho interior ou exterior, pois o nosso tesouro não será mais as nossas coisas e o nosso coração estará livre.

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