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"Todavia, vós não quereis vir a mim para terdes vida." João 5.40



"Todavia, vós não quereis vir a mim para terdes vida." João 5.40

Por que alguém recusaria receber a vida plena e real que Cristo tem para dar?

Sob todos os aspectos, a nossa vida é um milagre muito maior do que temos condições intelectuais de perceber; e esse milagre nos foi amorosamente concedido pelo Criador, porém, as pessoas têm se permitido influenciar pelo espírito do mundo, através da sociedade, de tal modo que estão tomando sobre si uma quantidade cada vez maior de peso e pressão que os está colocando em um estado físico, mental e até espiritual, de "insanidade" e de completa inconsciência, que os está fazendo negligenciar e deformar a própria existência das mais diversas maneiras.

Mas o que é essa insanidade?

A insanidade é essa forma frenética e alucinada como as pessoas estão vivendo, sempre desesperadamente tentando se encaixar no padrão do "indivíduo moderno bem-sucedido" que a sociedade desenvolveu e tem cultivado; estão sempre guiando a própria vida de acordo com os conceitos e parâmetros de outras pessoas, e da mídia; estão sempre competindo entre si de um jeito cada vez mais animal; estão sempre correndo atrás de alguma "novidade"; sempre se comparando com alguém; sempre procurando por uma "felicidade sintética", pré-fabricada artificialmente em grande escala; estão sempre lutando por vitórias sem sentido; sempre acumulando coisas; sempre se curvando aos próprios sonhos e ambições; sempre tentando impressionar aos outros de alguma maneira; sempre correndo em busca do que a sociedade chama de riqueza e sucesso, mas sem compreender o real significado e a essência dessas palavras.

E por que tais coisas são insanidades?

Porque ao devotar a vida desde cedo a praticar tais comportamento, repetindo-os constantemente durante a maior parte da sua existência, senão por toda ela, as pessoas se colocam em uma "posição" de grande vulnerabilidade na qual são sempre facilmente bombardeados e atingidos com uma quantidade massiva de todos os tipos de dores desnecessárias e sofrimento autoimpostos que a longo prazo provocam inúmeras feridas e cicatrizes internas (na mente, no coração e no espírito) assim como externas (na saúde, nas finanças, e no estilo de vida), que vão incomodá-los ininterruptamente com inquietações, ansiedades, depressão, aceleração, traumas, fobias e outras síndromes modernas que já são amplamente consideradas como parte inevitáveis da vida na atualidade.

E por que a pessoas continuam insistindo em agir e pensar assim, se isso é o que provoca tantos efeitos colaterais e sofrimentos dentro delas?

Porque, por mais incrível que pareça, as pessoas estão vivendo em um estado de inconsciência tão profundo que nem mesmo compreendem que a vida real é aquela que ocorre fora dos limites do que a sociedade chama de vida social (material e virtual), eles estão sofrendo de um entorpecimento mental tão severo, provocado por toda a pirotecnia e cacofonia hipnótica da sociedade ao redor deles, a respeito da própria existência, que passaram a "viver" em uma espécie de sonho social coletivo, mais como um delírio, provocado por diversas ilusões, fantasias e sonhos que se revezam como um grande carrossel e se amontoam uns sobre os outros distorcendo completamente a maneira como as pessoas percebem a realidade que as cerca; e é nesse delírio, que o senso comum chama de vida social moderna, que o espírito do mundo, dissimuladamente, usa as mais diversas fontes e vozes da coletividade para influenciar, fascinar, inebriar, cativar e manipular todos quantos estejam com a mente submersa nesse grande "carrossel de ilusões" em que bilhões de indivíduos desperdiçam todos os seus anos na terra. De fato, para essas pessoas, a sociedade está sempre dizendo o que fazer e como fazer; o que "pensar" e como "pensar"; o que sonhar e como sonhar; do que gostar e do que não gostar; o que falar, o que sentir, no que crer, pelo que lutar... e assim por diante. No fundo, por trás de toda essa movimentação performática que as pessoas fazem diariamente, trabalhando, viajando, comprando, desejando, se estressando, e desempenhando o papel que a sociedade espera deles no contexto do que o "senso comum" e o "status quo" chamam de vida social, há muito pouco de vida real; eis um dos motivos pelos quais as Escritura Sagrada exorta-nos em Efésios 5.14 dizendo: "...Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.".

Mas qual é o problema de todo esse comportamento social delirante que as pessoas têm demonstrado?

O problema é que esse modelo de comportamento mantém os indivíduos presos, "acorrentados" a pesados padrões de pensamentos, conceitos e mentalidades sutilmente nocivas e dissimuladamente tóxicas, embora eles acreditem que tais coisas são normais e desejáveis porque todos ao redor estão "vivendo" do mesmo jeito; por isso também foi escrito em Provérbios 14.12 o texto que diz: "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.".

Viver 100% de acordo com o fluxo da sociedade parece algo normal, desejável e racional, mas é uma receita certa para uma existência de servidão ao Ego (carne) com todas as paixões e concupiscências que ele possui, e esse tipo de existência, ainda que seja repleta de vitórias, glórias e tesouros sociais, será também cansativa, apressada, distraída, superficial, ilusória, imatura, estressante, tempestuosa, e muito pesada, seja física ou psicologicamente; por isso, para alertar a todos os que estão imersos nesse tipo de "vida social", é que também foi escrito em apocalipse 3.17 o texto que fala: "Como dizes: Rico sou e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego e nu)". Em outras palavras, essa "vida social moderna", acelerada, extravagante, distraída, ambiciosa, religiosa, ostentadora, hiperconectada, hiperativa, e muito mais, é na verdade uma espécie de não-vida, na medida em que todas as coisas para as quais as pessoas se dedicam a pensar, falar, sentir, fazer e ter servem muito mais para drenar todas as forças vitais, e outros recursos, como o tempo, dinheiro, saúde, energia, motivação, esperança, fé, atenção, e o amor que eles possuem, do que para nutri-los e regenerá-los, como deve acontecer com tudo o que faz parte de uma vida realmente equilibrada e harmônica em todos os aspectos.

Mas o que é uma não-vida afinal de contas?

É um estado mental coletivo em que as pessoas fazem tudo o que supostamente têm de fazer (socialmente falando), mas na verdade estão completamente inconscientes no que se refere ao que realmente importa, de fato, nesse estado social coletivo as pessoas estão tão distraídas com suas coisas, suas prioridades, seus objetivos, seus afazeres, seus sonhos, seu Ego, que simplesmente ficam incapazes de perceber as grandes mudanças, transformações, oportunidades e ameaças que estão acontecendo ou surgindo ao seu redor, muitas vezes, bem diante de seus olhos, até que seja muito tarde; exatamente como já aconteceu várias vezes durante a história da humanidade; continua acontecendo nos dias atuais, e continuará acontecendo até que Cristo retorne, de fato, alguns desses momentos foram relatados em Lucas 17.27-30, que diz que as pessoas: "Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar.".

Tanto nos dias de Noé, quanto nos dias de Ló, a sociedade, (guardadas as devidas proporções), se comportava exatamente como estamos vendo a sociedade atual se comportar, com pessoas espiritualmente adormecidas, mentalmente inebriadas, extremamente ocupadas e sobrecarregadas com o que chamam equivocadamente de "vida", mas que é apenas um grande amontoado de movimentações causadas por suas paixões, vaidades, ilusões, sonhos e outras concupiscências. Bilhões de indivíduos completamente alienados ao que a vida real verdadeiramente é. E por mais incrível que pareça, toda essa movimentação mental e física inconsciente, estilhaçada e egoica que a humanidade chama de vida, e que eles se recusam a se desapegar, mesmo sendo ela a causa e o sustento de todos os seus sofrimentos internos e externos mais severos, não é uma coisa tão difícil de ser percebida, de fato, foi ao perceber exatamente isso que o escritor e poeta irlandês, Oscar Wilde disse certa vez: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.".

Pois bem. Cristo veio para transformar essa existência árida, em vida real, que Ele mesmo chama de vida abundante; como está escrito em João 10.10, que diz: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.".

É nesse cenário que a Escritura Sagrada surge como um "chamado à sanidade", um cântico ao despertar do espírito, uma fonte de iluminação e lucidez para a mente, um caminho para longe das garras do Ego, uma forma segura de se libertar das interferências e influências nocivas do senso comum e do status quo no estilo de vida da humanidade. Em outras palavras, os Textos Sagrados nos ensinam como encontrar a vida real por trás de todas as ilusões, fantasias e sonhos dourados e hipnóticos que o espírito do mundo espalhou na sociedade, inclusive dentro de muitas congregações. 

Para encerar deixe-me falar rapidamente daquele jovem rico relatado na passagem de Mateus 19.16-22, ele era uma pessoa cuja "vida" social estava de acordo com o que o senso comum de sua época considerava como um indivíduo modelo bem-sucedido, de fato aquele jovem rico, que na verdade, segundo o texto de Apocalipse 3.17, era muito mais pobre do que podia imaginar, aparece na Escritura Sagrada como uma espécie de figura representativa, um estereótipo, de todas as pessoas que se preocupam tanto em construir e sustentar uma vida social que atenda aos parâmetros, métricas e aparências sociais que, mesmo sofrendo grandemente sob o peso e a pressão desumana que tal "vida social" (física e virtual) exerce sobre eles, se recusam a deixar tal vida, porque na cabeça deles, muito investimento já foi feito nessa maneira de viver socialmente padronizada e condicionada; ou seja, escolas e cursos já foram frequentados; carreiras já foram escolhidas; empregos já foram conseguidos; dinheiro já foi ganho; coisas já foram compradas e acumuladas; metas já foram traçadas; possibilidades já foram vislumbradas; oportunidades já foram aproveitadas; fama, poder, influência e autoridade já foram alcançadas; vitórias já foram conseguidas; vaidades já estão sendo ostentadas; sonhos já estão sendo perseguidos; e assim por diante.

O problema é que tais pessoas sabem, ainda que minimamente, que todas essas coisas os estão levando na direção oposta daquela que realmente produziria felicidade, leveza e liberdade para eles, porém, tal como aquele jovem rico, acham que recomeçar em um estilo de vida que não esteja intimamente conectado com suas vaidades, paixões e ambições egoicas socialmente aplaudidas não vale a pena pelo tempo e sacrifício quase sobre-humanos que já colocaram em tal maneira de "viver"; eis aqui um dos motivos principais de Jesus ter dito a frase que está registrada em João 5.40: "Todavia, não quereis vir a mim para terdes vida."

Muitas pessoas recusam-se a aceitar a maneira de viver apresentada por Cristo porque acreditam que em algum momento esse estilo de vida proposto pelo espírito do mundo, por meio da sociedade, e no qual estão investindo tudo o que tem, e há muito tempo, dará a eles os dividendos e lucros que lhes foram prometidos. O que eles não percebem é que sempre que esses tais lucros e dividendos sociais são recebidos, vêm acompanhados com uma carga brutal de inquietações, sacrifícios e sofrimentos diversos. Se tais pessoas tão somente parassem por um momento para refletir com sinceridade, logo chegariam à conclusão de que essa vida que eles tanto veneram não é um negócio assim tão lucrativo se pensarmos na nossa existência de maneira ampla, pois ocorre que muitos ganham fortunas e realizam "seus sonhos" na mesma velocidade em que perdem a paz, a saúde, a alegria e até a vontade de viver.

Não se engane, nossa mente é muito superficial e a nossa maneira tradicional de pensar e terrivelmente falha, repleta de pontos cegos; vemos pessoas socialmente consideradas como bonitas, famosas, bem-sucedidas, privilegiadas, influentes, ricas, felizes, poderosas, e assim por diante, e o Ego que há em nós se apressa em nos dizer que somente tais pessoas são as que estão tendo uma vida de verdade e que nós devemos fazer tudo o que estiver no nosso alcance para tentar ser como eles, mas em uma quantidade assombrosamente grande dos casos, o que está acontecendo por trás da bela fachada que os indivíduos deixam transparecer é completamente oposto às aparências que conseguimos perceber à distância. Todo cristão verdadeiro compreende que para que alguém consiga ter uma vida social realmente bem ajustada é preciso que tal individuo, assim como todo o seu estilo de vida, esteja intimamente conectado com a verdadeira, e única, fonte da vida, e essa é o próprio Criador da vida, que é o próprio Cristo, por isso também Ele disse em João 14.6: "Eu sou o caminho a verdade e a vida...".

Não podemos incorrer no erro de achar que podemos construir uma vida social segundo as exigências e desígnios que o senso comum e o status quo determinaram como padrão, pois como está escrito em Mateus 16.25: "O que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e todo aquele que perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á"; ou seja, se diferentemente daquele jovem rico, e de toda uma multidão dentro das mais diversas congregações, membros e líderes, nós nos desapegarmos dessa forma social deformada e sedutora que nos rodeia, e conscientemente, e voluntariamente, cultivarmos nossa maneira de pensar, sentir, falar e agir com base nos valores, princípios, conceitos, ensinamentos e virtudes celestiais amplamente demonstradas na Escritura Sagrada, aí sim, teremos virado nossas costas para o delírio social que bilhões chamam de vida e encontraremos a única e insubstituível vida verdadeira que fomos criados para experimentar. 

Comentários

  1. Poucos estão dispostos a ouvir
    Deus abençoe seu trabalho

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    Respostas
    1. Oi novamente Lucio.
      Fico contente em ler e responder o seu comentário, pois ele já é uma grande bênção de Deus para mim.
      Aqueles que forem tocados pelo Espírito de Deus ouvirão.
      Que a luz do Altíssimo ilumine você poderosamente, assim como a todos os que estão ao seu redor.
      Grande abraço.😊💖👍

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