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“...Andamos por fé e não por vistas.” 2 Coríntios 5.7

 



“...Andamos por fé e não por vistas.” 2 Coríntios 5.7


Por que os verdadeiros cristãos foram ensinados a andar sempre por fé e não por vistas? Antes de responder a essa pergunta, deixe-me fazer um pequeno esclarecimento.

Quando o apóstolo Paulo se refere a não andar por vistas, o que ele está realmente querendo dizer é que os verdadeiros cristãos jamais devem andar de acordo com as impressões e percepções produzidas por seus sentidos naturais, mas sim, sempre basear toda as suas ações, palavras, pensamentos e decisões em um “sentido” superior que é o sentido da fé verdadeira.

Mas o que há de errado em confiar nos nossos sentidos? Afinal eles nos foram dados para ajudar nossa interação com tudo o que está a nosso redor.

O grande problema com nossos sentidos naturais é que eles são extremamente imprecisos, assim sendo, o espírito do mundo pode usá-los contra nós como fontes intermináveis de todo tipo de ilusões sociais (internas e externas) capazes de nos afetar e atingir em todas as esferas da nossa existência, desde a esfera pessoal, passando pelas, emocional, sentimental, familiar, profissional e até espiritual.

Tais ilusões influenciam e distorcem a nossa forma de pensar, falar, sentir, agir e até a a maneira como cultivamos a nossa fé; ou seja, quando confiamos e vivemos segundo os nossos sentidos naturais, sejam eles sociais ou psicológicos, acabamos criando ou nos apegando a ilusões criadas pela sociedade que acabam deturpando completamente toda a nossa visão da realidade da própria vida. Por mais estranho que pareça; é como se, inconscientemente, passássemos a viver vendo todas as coisas através de uma lente que mostra tudo de cabeça para baixo; em outras palavras, começamos a dar valor a tudo o que é banal, aleatório e desnecessário na vida e negligenciamos todas as coisas realmente valorosas.

Mas o que são essas ilusões?

Todas e quaisquer distorções, distrações e, ou, manipulações de nossas sensações, sonhos, impressões, perspectivas e percepções, internas e externas, a respeito de nós mesmos (nosso corpo, mente e espírito), das outras pessoas, da sociedade e da própria realidade na qual estamos inseridos.

Se você já foi a algum show de ilusionismo, ou ao menos já assistiu pela televisão ou internet, então sabe que as ilusões são criadas através da constante manipulação da nossa mente, por meio do controle e manuseio, imperceptível, da nossa atenção para produzir distorções e falhas nas nossas percepções, compreensão e impressões a respeito das ações do ilusionista. Agora imagine algo assim sendo feito um milhão de vezes mais intensamente e mais profundamente; é exatamente assim que o espírito do mundo (o ilusionista) está enganando bilhões sobre a face da terra para que pensem, falem, ajam, creiam e vivam segundo os padrões e o estilo dele.

Ao dizer que não devemos andar por vistas, o apóstolo Paulo, inspirado pelo Divino Espírito Santo, tinha em mente que a sociedade consiste é um conjunto de sistemas capazes de produzir ilusões poderosamente vívidas e verossímeis que apelam para todos os nossos sentidos naturais e iludem nossa mente com extrema facilidade. De fato, nos dias atuais, podemos até dizer que esse sistema ilusório da sociedade foi aprimorado para uma versão ainda mais sorrateira e nociva do que aquela que existia na época bíblica, desse modo, as pessoas atualmente estão vivendo em ilusões que também estão dentro de outras ilusões. (Sonhos dentro de sonhos e fantasias dentro de fantasias).

Deixe-me citar algumas ilusões simples que são muito fáceis de perceber, sem qualquer esforço, mas que mesmo assim têm feito grande estrago na vida de milhares de pessoas.

1: As redes sociais.

Elas criaram uma espécie de realidade alternativa completamente distorcida e nebulosa que está alienando e adoecendo a mente e a vida de bilhões de indivíduos. Na realidade ilusória das redes sociais as pessoas são, e estão, sempre felizes, satisfeitas, gratas, confiantes, bem-sucedidas e esbanjando fé, paz de espírito e compreensão, porém, esse panorama quase paradisíaco não passa de uma construção fantasiosa que esconde e alimenta cada vez mais a insatisfação, a ansiedade, a tristeza, o consumismo, a infelicidade, as comparações, a competitividade, a agressividade, a baixa autoestima, a intolerância, o tribalismo, as covardias, a busca desesperada por aprovação social e uma infinidade de outros comportamentos destrutivos.

Na verdade, a ilusão que as redes sociais projetam na maioria absoluta de seus usuários acaba potencializando todas as outras ilusões que o espírito do mundo, através da sociedade e algumas congregações, já implantou dentro da mente de qualquer pessoa, e acabam por domesticar os pensamentos dos indivíduos para que vivam de maneira subserviente aos algoritmos que foram criados para realimentar e reforçar o sistema dessas ilusões.

No livro "Dez argumentos para você deletar suas redes sociais", Jaron Lenier, um dos pioneiros do Vale do Cilício, que é o lugar onde estão localizadas as sedes da maioria das redes sociais usadas em todo o mundo; diz o seguinte: "As redes sociais estão adestrando a humanidade para que passem a agir de determinadas maneiras segundo o que é mais interessante para elas e não para as pessoas. Estão alterando e plantando novos comportamentos e hábitos que gradativamente estão se incorporando à psique e a rotina dos indivíduos, controlando-os.". Em outras palavras, uma vez que alguém é seduzido e capturado pela ilusão das redes sociais, tais pessoas passam a se amoldar e conformar com a estrutura da ilusão e acabam desenvolvendo novos padrões distorcidos e inconscientes de pensamento, assim como, comportamento deformados que vão desfigurando a própria vida dessas pessoas.

2: O tribalismo social.

Eis outra ilusão poderosa que tem seduzido e influenciado a visão de mundo de cada vez mais pessoas sobre a face da terra. Os indivíduos sentem-se atraídos por determinada causa, ideologia, filosofia, cor de camisa, bandeira, simbologia, ou qualquer tipo de facção social (política, empresarial, religiosa, esportiva etc...) eles unem-se a outros que compartilham da mesma visão de mundo em tais grupos e começam a competir de maneira completamente irracional, violentamente, atacando, denegrindo, afrontando, ofendendo e perseguindo, aberta ou dissimuladamente, qualquer outro grupo que considerem como inimigos. Dessa forma acabam tendo sua razão individual entorpecida por uma espécie de pensamento de alcateia e voluntariamente começam a dar vazão à natureza mais baixa, bárbara e monstruosa do espírito do mundo. Como certa vez o pintor catalão Goya observou ao dizer: "Quando a razão adormece, os monstros acordam.". O problema é que esses monstros são as próprias pessoas ao se deixarem seduzir pelas ilusões; como o filósofo Ralph Waldo Emerson disse: "A turba é o homem se rebaixando voluntariamente à natureza da besta.".  

3: A busca pela felicidade.

Essa é, sem dúvida, uma das ilusões mais poderosas em ação nos nossos dias, pois o espírito do mundo criou um ideal social de felicidade padrão e tem incitado as multidões a persegui-lo por meio das "visões" que ele provoca, assim, cada vez mais pessoas estão sacrificando o que possuem de mais precioso e se apegando ferrenhamente às coisas desejadas pelas multidões, mas sem qualquer valor real. Por causa dessa busca irracional pela "felicidade" homens e mulheres estão expondo e submetendo o próprio corpo a produtos e procedimentos cirúrgicos para alcançar um ideal ilusório de beleza física, mas estão pagando com a perda da saúde ou, muitas vezes, da própria vida.

Por causa dessa busca pela "felicidade" muitos estão correndo atrás de sonhos inalcançáveis, contraindo dívidas impagáveis e doenças incuráveis. Por causa dessa busca pela "felicidade" o consumismo e a ostentação se ergueram ao patamar de uma "religião" global e tem feito as pessoas cada vez mais sobrecarregadas estressadas, ansiosas, insatisfeitas e infelizes.

O problema é que essa tal felicidade que eles procuram tanto continua sempre como uma mera miragem no horizonte que nunca conseguem alcançar; e de lá permanece, juntamente com outras ilusões como a nostalgia, a pornografia, a fama, o poder, a riqueza, a política e tantas semelhantes, inebriando a mente e devorando a vida daqueles que se dedicam a essas buscas insanas.

Perceba. Todas essas e muitas outras ilusões começam e terminam nos sentidos humanos, nos nossos sentidos, na forma natural equivocada como nos acostumamos, fomos, e somos ensinados a "ver" quem somos, o que está ao nosso redor e a própria vida. De fato, há uma enorme quantidade de ilusões agindo massivamente ao mesmo tempo por toda parte, confundindo, pervertendo e desvirtuando bilhões de pessoas.

O desejo pelo sucesso e pelo enriquecimento rápido e fácil, assim como todas as nossas paixões pessoais, sociais e espirituais; muito dos nossos sentimentos e emoções, e, por mais estranho que pareça, existe até uma "fé" ilusória sendo amplamente difundida e cultivada dentro de diversas congregações por líderes e membros; estas pessoas são aquelas as quais Cristo se referiu em Mateus 7.22-23, que diz: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhe direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.". Jesus não os conhece nem os conhecerá porque a fé que eles praticam não é real, mas sim uma fantasia, uma ilusão que eles mesmos criaram ou se apegaram para servir a seus próprios propósitos.

Em joão 8.44 diz que o espírito do mundo é o pai da mentira; essa passagem significa que o inimigo da nossa alma é a fonte de todas as ilusões que existem, pois, o que é uma mentira senão uma ilusão? Assim sendo, todos aqueles que cultivam a fé ilusória e, ou, se permitem tomar as formas do sistema ilusório da sociedade mundana, estão praticando mentiras, é por esse motivo que serão rejeitados por Jesus, pois que escolheram deliberadamente viver cultivando ilusões ao invés de se dedicarem verdadeiramente a ver além delas e desfazê-las em todas as áreas de suas vidas; infelizmente, tais indivíduos estão se enquadrando no grupo de pessoas descritos em Apocalipse 201.8, que diz: "...E a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre...".

Então, como podemos escapar e vencer o sistema de ilusões do espírito do mundo que opera na nossa visão natural, ou seja, nos nossos sentidos?

A única maneira segura de nos tornarmos imunes às ilusões dos nossos sentidos é se conseguirmos ignorar a visão natural que nos é apresentada pela sociedade e controlarmos os impulsos que ela produz na nossa mente, dessa maneira vamos enxergar claramente através das ilusões, identificando-as como o que realmente são (fantasias que nos impedem de conhecer a verdade sobre todos os aspectos de nossa existência), pois assim nossa mente se desvencilhará das distorções, distrações e manipulações que tanto têm influenciado a humanidade. E é exatamente aqui que o texto de 2 Coríntios ressurge para nos indicar o caminho para fora das ilusões quando diz: "...Andamos por fé e não por vistas.". Pois a verdadeira fé dissipa toda a imprecisão das impressões e percepções produzidas pelos nossos sentidos, dispersando o véu das ilusões na nossa mente e nos permitindo ver claramente as verdades da nossa vida, dos nossos sonhos e objetivos, do nosso coração e do nosso espírito. Verdades essas que são invisíveis para todos aqueles que vivem imersos nesse gigantesco conjunto de ilusões que governam a sociedade.

Em hebreus 11.27 diz que Moisés, "...Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.".

Na sociedade atual, mais do que em qualquer outra época, praticamente todas as coisas visíveis (percebidas por nossos sentidos) são ilusórias de alguma forma, dessa maneira, enxergar a verdade das coisas exige que sejamos capazes de desenvolver a visão real, que é a visão das coisas que não podem ser vistas (percebidas) pelos nossos sentidos tradicionais. Esse é o desenvolvimento da fé, pois como esta escrito em Hebreus 11.1: "A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem.".

E como fazemos isso?

Cultivando o hábito de questionar mentalmente todas as coisas que nossa visão natural (nossos sentidos) nos mostram como sendo a realidade. Devemos aprender a prática de questionar profundamente, com extrema sinceridade, nossos pensamentos, nossos sonhos, nossos desejos, nossas vontades, nossos sentimentos, nossas emoções, nossas vaidades, nossas paixões, as impressões e percepções que temos sobre todas as coisas, nossas palavras, nossas ações e absolutamente tudo o que tem relação conosco e com a nossa existência, pois assim seremos capazes de perceber as sutilezas que separam as ilusões da realidade que está além delas, sutilezas essas que são invisíveis para a maioria esmagadora da humanidade. Eis alguns exemplos simples:

* Quando a raiva aparecer no seu coração, questione-a imediatamente, e você perceberá que ela é sempre inútil, apenas uma ilusão criada pelos seus sentidos para desnorteá-lo(a) e afastá-lo(a) da razão.

* Se te ofenderem e você se sentir magoado(a), questione essa mágoa, e você perceberá que ofensas são apenas palavras sem sentido que por motivos infantis acabamos aceitando em nosso interior e assumindo como algo capaz de nos atingir, mas se não as aceitarmos elas perderão instantaneamente o efeito.

* Toda vez que um sonho de consumo brotar na sua mente, questione-o; você perceberá que a maioria deles não acrescentará nada a sua vida além de uma leve sensação de novidade que se desfará em pouco tempo para dar lugar a outro sonho de consumo. Eles não passam de ilusões da sua vaidade e você não precisa segui-los.

* Quando aplaudirem você e seu coração disser que você está ficando famoso(a), não caia nessa ilusão, questione mentalmente essa "fama" e você perceberá que ela não é nada além da opinião estéril de pessoas que talvez nem conheçam você.

* Se um obstáculo se colocar em seu caminho, questione-o corretamente em seu espírito e você perceberá que nenhum obstáculo obstrui o seu caminho, na verdade o obstáculo é o caminho, logo, é através dele que você alcançará o ponto no qual Deus deseja que você chegue.

Lembre-se; está escrito em Provérbios 25.2b: "A glória dos reis é tudo investigar."

Assim você estará se utilizando de uma visão de fé, uma visão sóbria e reta, que não está subordinada nem apegada à "visão" dos sentidos naturais, mas sim ao conhecimento da verdade, logo, você estará sempre vendo a realidade invisível por trás das ilusões, deixará de ser um fantoche delas e para cada uma das coisas da vida experimentará a liberdade daqueles que percebem e compreendem plenamente a verdade; pois como está escrito em João 8.32 "...Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.".


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