Pular para o conteúdo principal

“...Emprestarás a muitas gentes...” Deuteronômio 28.12c



“Emprestarás a muitas gentes, mas tu não tomarás emprestado.” Deuteronômio 28.12c

Geralmente, quando pensam em emprestar dinheiro a outras pessoas, sejam familiares, amigos ou conhecidos, logo surge uma sensação desconfortável na mente da maioria dos indivíduos, pois com alguma frequência pode-se ouvir relatos de alguém que emprestou dinheiro a outrem que nunca pagou o que devia. Relacionamentos de longa data já foram rompidos assim, amizades já acabaram, sociedades e parcerias profissionais se desfizeram, brigas feias já aconteceram e praticamente todo tipo de desentendimentos já ocorreram por esse motivo. Talvez você até conheça algum caso assim.

De fato, este é um dos motivos pelos quais Deus nos ensina a construir um estilo de vida balanceado de modo que não nos seja necessário tomar dinheiro emprestado com ninguém; como o próprio texto de Deuteronômio 28.12c, na segunda parte, deixa claro ao dizer: "...Mas tu não tomaras emprestado.".

Quando alguém toma qualquer quantia emprestado de uma instituição como um banco ou uma financeira, aquela pessoa que tomou emprestado fica legalmente presa à aquela empresa até que pague o que deve, que geralmente é a quantia que tomou emprestado mais os juros altíssimos praticados no mercado financeiro do nosso país. E caso a pessoa não consiga pagar as parcelas ou o valor total de seu empréstimo, mais os juros, tal dívida se tornará uma "bola de neve" que aumenta de volume, estrangulando as finanças da pessoa; e além disso, tal indivíduo será punido com a negativação do seu nome no mercado; além de outras coisas semelhantes.

Da mesma forma, aqueles que tomam emprestado com outras pessoas passam a ter uma dívida com o outro e caso não sejam capazes de honrar tal dívida, podem acabar perdendo uma amizade ou um relacionamento valioso que poderia ser cooperativamente frutífero para ambos, mas ao se tornarem devedores acabam se colocando em uma posição capaz de gerar muito atrito e estresse para si mesmos. De qualquer forma, ao tomar dinheiro emprestado, a pessoa está "condenada" a se esforçar o máximo, e às vezes, fazer sacrifícios totalmente desnecessários para conseguir restituir àquele que emprestou, seja o Banco, a financeira ou outra pessoa. Tomar emprestado é como colocar-se em uma posição de servidão para com quem emprestou; por isso também foi escrito em Provérbios 22.7b: "...O que toma emprestado é servo do que empresta".

Analisando esse panorama, todo cristão sábio prefere ser sempre aquele que empresta e nunca o que toma emprestado; como foi ensinado na primeira parte de Deuteronômio 28.12c, que diz: "...Emprestarás a muitas gentes..."

Talvez você esteja pensando: Por que eu ia querer emprestar dinheiro se as pessoas podem não ter condições, ou vontade, de me pagar?

Porque sendo você um cristão legítimo, simplesmente perdoaria a dívida do seu devedor ou contornaria a situação com sabedoria e não permitiria que uma amizade ou um relacionamento valioso se perdesse por causa de uma falha ou uma desorganização daquele que tomou emprestado com você. Mas na verdade, quando digo que os cristãos sábios preferem emprestar, eu não estava me referindo a emprestar dinheiro dessa maneira para as pessoas mais próximas como amigos, familiares e conhecidos em geral. (É claro que podemos fazer isso em uma eventualidade, desde que estejamos plenamente conscientes de todo o processo. Porém, estou falando de outras maneiras de emprestarmos dinheiro).

Quando falo que cristãos preferem emprestar, estou me referindo a fazer isso de uma maneira mais inteligente, produtiva e de longo prazo.

Mas como assim?

Você sabia que é possível emprestar dinheiro para bancos, empresas, governos e até pessoas desconhecidas sem que você tenha de passar pelo atrito e pelo estresse de não lhe pagarem, e, ainda conseguindo alguma rentabilidade no processo.

Quando Deuteronômio 28.12c fala: "...Emprestarás a muitas gentes..."; também podemos considerar que, para os nossos dias, para a nossa realidade, este versículo está falando sobre termos a capacidade e o conhecimento para fazer investimentos, mais especificamente os investimentos de renda fixa. Deixe-me explicar melhor, pois em linhas gerais, quando se trata de investir em renda fixa, é mais ou menos isso o que acontece:

Toda vez que uma pessoa faz um investimento desse tipo, o que essa pessoa está fazendo, na verdade, é emprestar o seu dinheiro para alguém (para outras pessoas, empresas ou governos) em troca de receber como retorno o valor que emprestou com acréscimo, que são os rendimentos (juros que as pessoa, as empresas ou os governos pagam por tomar emprestado esse dinheiro de você). E o melhor é que quanto mais tempo o seu dinheiro fica investido, "emprestado", mais juros são pagos e mais rendimentos você recebe.

Pessoas prósperas emprestam dinheiro através de seus investimentos enquanto pessoas não prósperas geralmente estão sempre tomando dinheiro emprestado; do mesmo jeito que pessoas prósperas recebem juros sobre os seus investimentos enquanto as pessoas não prosperas parecem nunca se cansar de pagar juros sobre os empréstimos que fazem.

Investir é um hábito das pessoas prósperas e sábias, pois dessa forma conseguem, como costumam dizer: "colocar o dinheiro para trabalhar por eles", enquanto as pessoas não prosperas, e tolas, estão sempre trabalhando pelo dinheiro. Quando investimos, mesmo que pouco ou mesmo que seja em um investimento mais conservador, aquele dinheiro investido se torna nosso servo, que trabalhará sem descanso dia e noite para aumentar nosso patrimônio financeiro. Veja o que Salomão disse em Provérbios 12.9a : "Melhor é o que se estima em pouco e tem servos..."; Os sábios fazem com que o dinheiro se torne seu servo (escravo) através de emprestá-lo para bancos, empresas e governos, por meio de seus investimentos, mas os tolos ignoram tudo isso. Veja o que o Senhor fala em Lucas 19.23, a respeito do servo tolo: "Porque não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com juros?". Em outras palavras: "Por que você não investiu o meu dinheiro?" 

Então, por que nós não aprendemos com aqueles servos fiéis, dessa parábola relatada em Mateus 25.14-17, que multiplicaram negociando (investindo) o dinheiro de seu Senhor, e fazemos algo semelhante com o dinheiro que Ele coloca em nossas mãos?

Eu sei que esse assunto de investimento ainda está muito distante da maioria das pessoas dentro das congregações, e esse texto não tem nenhuma pretensão de ensinar ninguém a fazer isso. Tudo o que eu desejo aqui é demonstrar que uma pessoa pode desenvolver esse hábito, dedicar-se para adquirir o conhecimento necessário e colher os frutos benéficos disso. Aliás, bons investimentos nos ajudam a realizar objetivos importantes na vida, ajudam a construir uma boa reserva financeira de emergência para enfrentar momentos imprevistos (crises) e nos ajudam a melhorar nossas expectativas para um futuro ou uma aposentadoria mais tranquila, só para citar alguns benefícios.

O que tem sido visto na sociedade, assim como dentro de algumas congregações, são as pessoas sendo ensinadas a tentar criar uma imagem de prosperidade baseada em extravagâncias financeiras sem qualquer sentido, de modo que tais pessoas passam a gastar de maneira compulsiva e consumista nos símbolos de status sociais sem ponderar para perceber que tais símbolos, e tesouros, que tanto desejam mostrar aos outros, não agregam nenhum valor verdadeiro à vida ou ao espírito deles. Também por isso a Escritura faz o seguinte questionamento a todos nós em Isaías 55.2a: "Por que gastais dinheiro naquilo que não é pão?".

Mas voltando para o tema central deste texto. Está escrito: "...O que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos.", Mateus 25.16. Nós também podemos fazer como os servos fiéis da parábola dos dez talentos para que, "negociando", ou seja, "emprestando", ou melhor dizendo, investindo, parte do dinheiro que Deus coloca em nossa mão, sejamos capazes de edificar uma vida financeira, presente e futura, com mais solidez para nós mesmos e para nossa família. 

Para encerrar vou falar rapidamente sobre algumas maneiras mais simples que qualquer pessoa tem para investir em renda, ou seja, "emprestar seu dinheiro para muitas gentes". Os investimentos de renda fixa mais comuns, ao menos no Brasil são: A poupança, o CDB, e, o tesouro direto. Deixe-me falar superficialmente sobre cada um deles:

* Quando alguém coloca dinheiro na poupança, está, na verdade, emprestando tal dinheiro para outras pessoas, pois o banco usa esse valor para colocar no mercado através de, por exemplo, empréstimos consignados.

* Quando alguém investe em um CDB, está, na verdade, emprestando dinheiro ao banco que pode usar tal dinheiro de diversas formas, mas geralmente toma esse valor e também investe, de modo que ao receber os juros de tal investimento, repassa parte deste valor para quem o "emprestou" o dinheiro inicialmente.

* Quando alguém compra um título do Tesouro Nacional, através da plataforma do tesouro direto, o que tal pessoa está fazendo, na verdade, é: Emprestando dinheiro para a nação que vai usar tal dinheiro da maneira que lhe for conveniente e pagar rendimentos, até o fim do período de empréstimo que tiver sido combinado.

É claro que há muitos outros tipos de investimentos nos quais as pessoas ou, investidores, "emprestam" dinheiro a outros indivíduos, instituições ou governos, mas o foco deste texto não é abordar esse tema profundamente, mas sim levar você, leitor(a), a enxergar que existe uma maneira de "emprestar" seu dinheiro com muito menos risco de perdê-lo e ainda ganhar algum rendimento no processo.

Caso você se aplique e desenvolva o hábito de investir, saiba que isso vai acelerar bastante a sua jornada para uma vida mais próspera e financeiramente mais estável e saudável; compreenda apenas que isso vai exigir que você procure pelo conhecimento adequado e também levará algum tempo para surtir efeito, mas no longo prazo e com o entendimento correto, os frutos certamente virão.

Comentários

  1. Belo texto Deus lhe abencoe. ..aprendi muito

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá! Fico contente em saber que você gostou do texto.
      Obrigado por deixar seu comentário aqui.
      Que Jesus derrame sobre você, paz, saúde, sabedoria e sucesso.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

“...Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Mateus 18.20

“...Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Mateus 18.20 Neste texto nós vamos conversar um pouco sobre os benefícios que uma congregação saudável produz na vida de todos aqueles que fazem parte dela; e tenha em mente que congregar significa justamente se reunir com outras pessoas em nome de Jesus, como relatado em Mateus 18.20. Em vários dos textos que tenho compartilhado aqui, procurei falar sobre como o espírito do mundo se infiltrou nas congregações através dos séculos para corromper os sentidos daqueles que as compõem e desvirtuá-los de seguir o verdadeiro caminho de Cristo Jesus, induzindo muitos a praticar todo tipo de estranhezas, distorções da Palavra, e até, a desistir de congregar. Por isso também foi escrito que: "E vindo o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, Veio também Satanás entre eles." Jó 1.6 Quais são os benefícios de uma congregação saudável? Na verdade a lista de

Pedis e não recebeis, porque pedis mal... Tiago 4.3

"Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." Tiago 4.3 Esta, sem dúvidas, é uma das frases mais conhecidas do livro de Tiago, mas durante algum tempo tive certa dificuldade de me aprofundar na grande lição contida nela. Será que você já conseguiu extrair deste versículo algo além daquilo que está na superfície? É o que tentaremos fazer agora. Creio que o hábito de pedir seja o mais intuitivo, natural e automático que possuímos, principalmente porque Jesus disse: "Pedi e dar-se-vos-a..." ; "o que pede recebe" e ainda, "tudo que pedirdes em meu nome eu o farei..." Somos ensinados e acostumados a pedir; há alguns até que se tornam viciados em fazê-lo, alguns tratam o Senhor absoluto do universo como se Ele fosse uma espécie de "gênio da bíblia", ou seja, na mentalidade destas pessoas Deus serve apenas para realizar seus desejos não importando o quão banais, vaidosos, egoístas, hedonista

A alegria do SENHOR é a vossa força. Neemias 8.10

"...Portanto não vos entristeçais; porque a alegria do Senhor é a vossa força." Neemias 8.10 No cristianismo há duas relações diretas que afetam grandemente a nossa vida caso tenhamos o devido conhecimento delas para usarmos da forma correta e a nosso favor. E que relações são estas? Como você já deve imaginar por causa do título deste texto estamos falando de alegria e força , assim como de tristeza e fraqueza, ou seja, alegria é igual a força e tristeza é igual a fraqueza; porém o foco de nossa conversa será completamente sobre as duas primeiras.  Cristãos conhecem profundamente isso e usam este entendimento a seu favor; o meu desejo ao escrever este texto é que você também possa fazer o mesmo de modo a fortalecer sua vida cada vez mais. Algumas pessoas podem ter certa dificuldade em entender a necessidade vital que os cristãos têm de se alegrar, de proteger e multiplicar a alegria; tais pessoas podem perguntar: Por que devo me alegrar se as c