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"...Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Gálatas 5.14



“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Gálatas 5.14

Por que as pessoas têm tanta dificuldade de amar o próximo como a si mesmos?

Este poderoso ensinamento de Cristo, repetido e reiterado por Paulo, apóstolo, em Gálatas 5.15 é a chave e o caminho para que a humanidade consiga existir em um nível de desenvolvimento pacífico e produtivo infinitamente melhor do que o que temos hoje, muito além do que conseguimos pensar. Imagine por um instante: E se a grande maioria dos seres humanos que vivem na sociedade dos mais diversos países simplesmente começassem a amar as outras pessoas exatamente da mesma maneira como amam a si próprios? Como o mundo seria? Haveria mais compreensão? Menos julgamentos? Mais compaixão e menos egoísmo? Mais igualdade e menos distorções? Mais unidade, menos polarização? Mais tolerância e menos radicalismos? Mais justiça e menos maldades? A lista de benefícios como estes é praticamente infinita.

Mas se a quantidade de benefícios de amar o próximo é tão vasta e transformadora assim, por que as pessoas não começam a fazer isso?

A resposta para esta questão é tão óbvia que simplesmente a ignoramos; e é a seguinte: As pessoas, em sua grande maioria, não sabem como amar o próximo.

Então alguém pode pensar: Como assim? É só tratar o próximo como tratam a si mesmos; que dificuldade há nisso?

Pois é; este é exatamente o ponto crítico de toda essa questão. Porque o fato é que as pessoas já tratam o seu próximo como tratam a si mesmos. 

Lendo isso você pode pensar: Mas isso não faz sentido! Se as pessoas tratassem os outros como tratam a si mesmos, eles se importariam mais com as outras pessoas.

Mas na prática não é bem assim. A verdade é que a grande maioria da humanidade simplesmente não amam a si mesmos, logo, como poderão amar ao próximo se não são capazes de, primeiramente, amar a si próprios? Creio que você, leitor(a), deve saber que ninguém é capaz de dar verdadeiramente a outro, algo que inicialmente não possua; sendo assim, uma pessoa que não possua amor por si mesmo também não será capaz de amar o próximo adequadamente. E como se isso já não fosse ruim o bastante; uma pessoa que não é capaz de amar verdadeiramente a seu próximo também não é capaz de amar realmente a Deus; como está escrito: "...Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" 1 João 4.20. 

Se pensarmos um pouco a respeito deste versículo e prestarmos atenção, perceberemos que nós somos cercados por "irmãos" de vários tipos; ou seja, nós possuímos nossos irmãos e irmãs de sangue, que são aqueles que compartilham o mesmo DNA e a herança genética de nossa família conosco; da mesma forma, possuímos irmãos e irmãs adotivos, que são aqueles que compartilham o afeto e o carinho de mesma família conosco; também possuímos nossos irmãos e irmãs em Cristo, que são aqueles que compartilham a mesma fé e compreensão espiritual conosco; porém, também possuímos irmãos e irmãs de nação, que são aqueles que compartilham a mesma rua, a mesma cidade, o mesmo estado e o mesmo país conosco; e por fim, essa definição deve se estender para um outro tipo, que são nossos irmãos e irmãs de existência, ou seja, todas as pessoas que fazem parte da espécie humana e que compartilham o planeta conosco.

O elo que liga um irmão a outro é estreito e isso faz com que sejam próximos um do outro, de diversas formas e em vários níveis; eis um dos motivos pelos quais a Escritura Sagrada afirma que nossos semelhantes são nossos próximos, pois eles, em alguma instância, são nossos irmãos e irmãs. E o nosso dever como cristãos é amar todos estes irmãos, dos mais diversos povos e nações, exatamente da maneira como Deus ensinou; a saber: "Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo..." Levítico 19.18. Se pensarmos desta forma, nos sentiremos muito mais inclinados, inspirados e dispostos a cumprir o que Cristo nos determinou quando disse: "Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura..." Marcos 16.15.

Mas deixe-me explicar porque estou afirmando que as pessoas não amam a si mesmas e por isso não conseguem amar o próximo adequadamente. Porque uma pessoa que ama não engana, não maltrata,  não ofende, não julga, não critica, não ataca, não envenena, não desmotiva, não desrespeita, não compara e não desmerece, só para citar alguns comportamentos; no entanto, bilhões de pessoas em todo o planeta, todos os dias, das mais variadas maneiras, estão enganando a si mesmos, ofendendo a si mesmos, maltratando a si mesmos, julgando a si mesmos, criticando a si mesmos, atacando a si mesmos, envenenando a si mesmos, desmotivando a si mesmos, desrespeitando a si mesmos, desvalorizando a si mesmos, comparando a si mesmos com outros e muito mais. Tenho certeza de que você sabe exatamente do que estou falando aqui.

Pessoas que amam a si mesmos cuidam preciosamente do próprio corpo, mente e espírito; eles velam de maneira adequada pela própria saúde física e mental, alimentam o corpo, a alma e o espírito de forma equilibrada e produtiva; não se dão aos excessos sociais nem aos exageros espirituais alardeados e vangloriados por mundanos e por pseudo-cristãos nos dias atuais. Pessoas que amam a si mesmos não tratam a eles próprios com violência, são tolerantes e compreensivos quando tentam algo que não se concretiza, eles não se fustigam, não transpassam a si mesmos com sofrimentos, principalmente por coisas e circunstâncias que acontecem em suas vidas, mas que estejam fora de seu controle, e não ficam se punindo repetidamente por qualquer "motivo"; porém, é assim que a maioria da população têm agido cada vez com mais frequência, violentando a si mesmos constantemente, em maior ou menor grau.

Para amarmos o nosso próximo precisamos necessariamente aprender a amar a nós mesmos; e só para ficar claro, deixe-me dizer que amar a si mesmo não tem nada a ver com ser narcisista. Narcisismo é uma anomalia criada pelo espírito do mundo que visa distorcer a percepção que uma pessoa tem de si mesma, inflando o coração e a mente da mesma com falsas impressões exageradas acerca dela própria. Amar a si mesmo tem a ver com ser compassivo, gentil, respeitoso, carinhoso, sincero, cuidadoso, verdadeiro e satisfeito consigo mesmo, só para citar alguns exemplos de comportamentos.

1: Se ficamos nos desgastando com ansiedades e estresses, não estamos amando a nós mesmos; pois deliberadamente estamos impondo cansaço e sofrimento sobre nossa própria mente.

2: Se estamos, todo o tempo, perseguindo sonhos de consumo, vaidades e todo tipo de ambições, não estamos amando a nós mesmos; porque os olhos da nossa vaidade nunca se fartarão, logo, sobrecarregaremos nosso corpo e mente com toneladas de aflições desnecessárias.

3: Se vivemos sempre "à procura da felicidade", não estamos amando a nós mesmos; porque submeteremos nossa vida a uma quantidade absurda de descaminhos e sacrifícios. Quem vive assim é como o cachorro que corre atrás da própria cauda sem ter a consciência de que a cauda que ele tanto persegue já faz parte do corpo dele. Da mesma forma, toda pessoa que ama a si mesma sabe que a felicidade já faz parte dela, independentemente de fatores externos, logo, não precisam persegui-lá, mas sim apenas reconhecê-la.

4: Quando não pensamos e falamos gentilmente a nosso próprio respeito, em nossa mente, não estamos amando a nós mesmos; pois pensar de maneira depreciativa sobre si mesmo é a forma mais comum e mais rápida de se enfraquecer.

5: Quando somos excessivamente duros conosco por causa de erros, falhas e fracassos, que, na verdade, são pequenos ou até irrelevantes, ou, que ocorreram em decorrência de variáveis da vida que estão fora do nosso controle; não estamos amando a nós mesmos; pois quem ama a si mesmo sabe que a perfeição pertence a Deus, e, que a excelência deve sim ser buscada em todos os caminhos da vida, mas que nessa jornada muitas pequenas falhas, erros e fracassos acontecerão, quer gostemos disso ou não, quer estejamos preparados para aprender as lições ou não. Não devemos nos martirizar ou fustigar nossa alma por conta destes pequenos deslizes.

6: Se estamos permitindo que nossa atenção seja capturada e estilhaçada pelas distrações físicas e virtuais que existem atualmente na sociedade; não estamos amando a nós mesmos; pois ninguém conseguirá estruturar adequadamente de uma vida harmoniosa se estiver permitindo que sua mente seja arrastada de um lado para outro repetidas vezes e atraída para todo tipo de distrações aleatórias. Uma mente dividida nunca terá forças para vencer as batalhas da vida que realmente importam.

7: Se baseamos as nossas ações, palavras e pensamentos em um desejo de impressionar os outros; vizinhos, parentes, amigos, irmãos de congregação, ou mesmo desconhecidos; não estamos amando a nós mesmos; pois para que nossa vida possa ser experimentada em seu máximo potencial precisamos desenvolver a capacidade de nos desvencilhar da multidão para, com consciência, clareza e lucidez termos força para fazermos as escolhas mais alinhadas com quem Deus deseja que sejamos, ainda que isso não nos traga qualquer aplauso ou admiração de nossos pares sociais.

8: Se vivemos sempre em busca da aprovação ou validação social, seja física ou virtual, não estamos amando a nós mesmos, pois nos tornaremos escravos da atenção alheia.

9: Se deixarmos que o medo governe nossas palavras e ações, não estamos amando a nós mesmos; porque o medo nos impede de realizar tudo aquilo que sabemos que deve ser feito para alcançar os objetivos que Deus propôs para melhorar nossa vida em todos os aspectos e inspirar outras pessoas.

10: Se constantemente comparamos nossa vida com a de outras pessoas, não estamos amando a nós mesmos; porque estamos sendo terrivelmente desleais e injustos contra nossa própria alma, pois geralmente comparamos as melhores percepções e impressões que temos das outras pessoas contra as piores que temos de nós mesmos; e esta é uma batalha que não podemos vencer. Eis o motivo pelo qual, pessoas que amam a si mesmas abandonam definitivamente esse vício social de se comparar com os outros.

Somente identificando estes, e outros padrões comportamentais que nos impedem de amarmos a nós mesmos adequadamente, e corrigindo-os, substituindo todos eles por padrões baseados no amor correto é que seremos verdadeiramente capazes de passarmos a amar profundamente ao nosso próximo da forma como Deus deseja que façamos.

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